sábado, 15 de agosto de 2009

sarah bracknell

Sinto-me, há um tempo considerável, como a namorada de Johnny no romance Dead Zone.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

retorno como se nada tivesse ocorrido

Não, não sei se retornarei definitivamente. Apenas tive uma conversa curta hoje com minha namorada e lembrei deste cantinho. Também essa semana tive um lero com uma amiga que é blogueira (ou ex?) e ela me lembrou disso aqui. Talvez ninguém leia, talvez alguém leia. Bem, atualizei. Pode ser que amanhã escreva algo de maior utilidade pública.

sábado, 19 de julho de 2008

sansão capado

Não sei quanto ao gênero feminino (e será até difícil porque este blog tem tendência a receber mais comentários femininos que do sexo peludo), mas castração é algo realmente pesaroso. Há um pequeno tempo atrás, uma jovem veio aqui em casa aparar as madeixas de meu canino. Eu, bicho-do-mato, acordei e fiquei no quarto até perceber que meus pais, ela e o raivoso subiam ao terraço para que, depois, eu fôsse ao banheiro. Pois bem, começou então o papo de castração. O animal iria certamente urinar nos devidos locais e pararia com aquela enlouquecedora auto-transa que ele já era perito máximo (algo a la marylin manson, se querem saber). Naquele momento veio a minha alma (pois isso é algo mais profundo) a imagem de um pobre cão sendo castrado e o que devia passar em seu âmago naquele instante. Visto que a castração é uma operação simples, surtindo o único efeito de que ele não poderá mais reproduzir-se, tentei entender quais transformações psicológicas ocorriam por culpa da perda da virilidade. Veio-me a óbvia resposta. A culpa é da virilidade perdida, claro! Provavelmente a idéia machista de que o macho é um ser superior alcança o mundo animal e perder sua identidade masculina é praticamente perder a sua vida. Ache um homem capado e você saberá que ele sente-se um nada, o vazio vivo. É estúpido, mas é real. O pênis de um homem (e somente o dele, a menos que ele não seja heterossexual) é o centro de seu poder, de sua vida. Castrar um cão é deixa-lo sem vida. Deprimi-lo, quase faze-lo sentir-se um maricas. Ele nem mais sente vontade de marcar território. Pense duas vezes antes de priva-lo das transas com pernas.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Boemia

Era explicitamente paixão. Amara-a desde o instante que a vira, ansiava por conquista-la. Meses mais tarde, já havia conseguido. Viviam um romance emocionante, inspirativo e, como possuiam sua própria renda, já começavam planos de viverem juntos. Foi então que um dia aconteceu.

- Amor, estou grávida.

A princípio, ele levou numa boa. Acreditava que seria lindo poder cuidar de uma criança. Nossa, ele seria pai! Mas algo o incomodava, apesar de tudo. Ter filhos era uma coisa séria, havia de ter que criar planos para o futuro, preparar todo o terreno para aquele minúsculo ser que estava por vir.
Seguindo a anterior idéia, optaram então por viverem logo juntos. Alugaram uma casa, compraram o que puderam de mobília, pegaram com amigos outras coisas e instalaram-se no imóvel. Os dois, claro, estavam empolgadíssimos por viverem aquela vida a dois, terem seu amado ao lado. Ele ainda mais pois poderia andar de cueca sem que a sogra o perturbasse.
Com o passar dos meses, ele pegou-se pensando sobre o bebê enquanto olhava para a barriga de sua mulher. Filhos. Extrema responsabilidade de quem os cria. Ainda mais para ele, ser boêmio, amante de shows que invadem a noite, depois as caminhadas pelas ruas sombrias, entre bares, relembrando a sonoridade espetacular. Agora teria que sentar no sofá nas sextas e sábados, olhar para o chão e cuidar para que o minúsculo ser não fizesse algo que pudesse danificar sua vida e marcar a mente dos pais para todo o resto de suas vidas. Era uma situação crítica aquela. Um ser enrugado, pesando pouco mais que um saco de feijão, pirracento. Um ser que, se fizesse merda, arruinaria a felicidade do casal. Era responsabilidade demais.
Como ela conseguia o feito de levar tudo numa boa. Sorridente, carinhosa com aquela bolha imensa em sua barriga, o umbigo estufado parecendo um suporte pra bola de gude. Como ela conseguia isso? Ela não o amava. Ela não via que seu amado era da noite. Como ela podia fazer aquilo com ele, trancafia-lo utilizando-se de um feto?
Duas semanas mais tarde, a bomba. O bebê saira cedo demais, ela teve um aborto indesejado. E ele, em sua profunda reflexão sobre o caso, vai até a sala, onde ela encontrava-se tristonhamente prostrada após ligar para os pais, avisando o ocorrido, e diz:

- Decidi, não te quero mais.

sábado, 28 de junho de 2008

Voyeur

- Amor, que tal tirarmos fotos assim?
- Assim? Agora? Não, não!
- Porque, amor? É tão excitante!
- Claro que não é! Eu não conseguiria ver as fotos depois...
- Claro que conseguiria. Você iria adorar nos ver fazendo isso. Você gosta de ver mesmo!
- Tá, eu assumo. Mas eu tenho medo. E se alguém acabar vendo?
- Claro que ninguém verá, amor!
- Aham! E se você, sem querer, acabar colocando em algum local? E se alguém ver?
- Mas ninguém verá, confia em mim!
- Ai... Você jura que nunca vai mostrar isso a ninguém? A nenhum dos seus amigos?
- Juro. Então vamos?
- Tá.

A mulher pulou animada da cama, atrás da máquina fotográfica enquanto o homem ficou esperando, preocupado com o que acabara de aceitar.